Através da adaptação de tecnologias já existentes, agência norte-americana pretende reaproveitar componentes funcionais do lixo espacial que orbita o planeta.
Através do programa Phoenix, a DARPA pretende desenvolver tecnologias que sejam capazes de reutilizar muitas das peças funcionais desses equipamentos. Segundo a agência norte-americana, centenas de satélites em potencial possuem componentes que poderiam ser reaproveitados caso houvesse métodos capazes de realizar tal tarefa de maneira remota.
“Se o programa for bem-sucedido, lixo espacial pode se transformar em recursos espaciais”, afirmou a diretora da DARPA, Regina E. Dugan. Como os satélites em órbita não são projetados de forma a ser fácil desmontá-los, é preciso desenvolver novas tecnologias capazes de realizar uma espécie de cirurgia para a remoção dos componentes desejados.
Grande desafio a superar
O projeto se mostra bastante desafiador, ainda mais quando se leva em conta que todo o processo deve ser feito em um ambiente localizado a milhares de quilômetros de distância em que não há gravidade. Segundo a DARPA, para que o processo seja possível de ser realizado, será preciso investir na adaptação de tecnologias desenvolvidas para outras áreas.Entre os exemplos citados pela agência estão as técnicas de telecirurgia, que tornam possíveis a realização operações a centenas de quilômetros de distância. Outro exemplo são as tecnologias de capturas de imagens do solo do oceano, que permitem a companhias petrolíferas perfurar somente em locais que se sabe haver os recursos desejados.
Para que essas tecnologias possam ser empregadas no espaço, é necessário um processo de reengenharia que as adeque a ambientes sem gravidade, com vácuo elevado e onde há altos níveis de radiação. Também é preciso desenvolver ferramentas capazes de segurar e realizar cortes precisos nas partes que devem ser reaproveitadas, além de um sistema capaz de moldá-las em um novo equipamento.
Diminuição de custos
“Para uma pessoa operando tais equipamentos, a complexidade é similar a tentar montar vários LEGOs ao mesmo tempo enquanto se olha através de um telescópio”, afirma David Barnhart, diretor do programa Phoenix. Para tornar a tarefa mais fácil, a agência planeja desenvolver “satlets”, satélites mais simples do que os convencionais e que possuem componentes capazes de reaproveitar os recursos disponíveis no lixo espacial.Ao reaproveitar os componentes funcionais já existentes no espaço, a DARPA espera diminuir o alto custo necessário para manter o sistema de comunicação do planeta. Em vez de ter que investir na construção e lançamento de um sistema completo, caso os planos se concretizem, bastará às companhias construir um “satlet” e escolher quais componentes desejam reaproveitar assim que o equipamento estiver em órbita
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