quinta-feira, 17 de março de 2011

Memória flash do futuro usa nanotubos de carbono e gasta 100 vezes menos energia


Atualmente a memória flash armazena dados na forma de cargas elétricas, mas por ser não-volátil ela não precisa de uma corrente constante de eletricidade e é por isso que dados de um pendrive não se perdem depois que ele é desconectado da porta USB. Uma das desvantagens dela é o número limitado de capacidades de escrita e por isso pesquisadores trabalham há algum tempo em tecnologias para substituí-la com mais eficiência. Em 2004 uma possível substituta foi criada, a phase-change memory.

No lugar de armazenar dados na forma de cargas elétricas, a PCM armazena dados usando as propriedades químicas únicas de um elemento chamado vidro calcogênio, que você já pode ter visto de perto se tiver usado um CD regravável. Ele tem dois estados, cristalino ou sólido amórfico, sendo que cada um deles representa um bit 0 ou 1. Os dados são gravados quando corrente elétrica é aplicada no material, o que gera calor e muda o seu estado. E foi nela que pesquisadores da Universidade de Illinois se basearam para criar a sua.
Nanotubos de carbono | Crédito: Dr. Eric Pop
Eles criaram uma memória com nanotubos de carbono, que é a menor forma de condutor já criada pelo homem, com um bit feito de PCM no meio dele. A corrente passa pelo nanotubo e muda o estado da memória, guardando um bit. Para evitar a deterioração presente nas memórias flash atuais e ainda prolongar o número de reescritas, eles cobriram tudo com uma camada de dióxido de silício. Não é só essa a vantagem: por ter componentes de PCM, os dados também estão protegidos contra imãs. Os pesquisadores criaram uma representação gráfica em 3D de como essa nova memória é feita, que você pode ver abaixo.
Representação gráfica de um pedaço da memória | Crédito: Dr. Eric Pop.
O resultado desse desenvolvimento vai ser visto no futuro, quando ela for implementada em celulares e gadgets que ainda usam memória flash atualmente. Como essa nova memória usa 100 vezes menos energia que a atual, a vida de bateria dos nossos gadgets poderão aumentar drasticamente.
E eu espero ainda estar vivo para poder usar um iPhone (ou smartphone Android) que tenha uma bateria que dura uma semana antes de pedir arrego ou um notebook que pode funcionar por um mês antes de precisar ser ligado na tomada. É pra esse lado que o futuro aponta.

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