quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O fim do computador pessoal como conhecemos.


O título dessa coluna pode assustar alguns, principalmente nosso público tão devoto a seus computadores, mas não, não sou nenhum profeta do apocalipse muito menos mais um pessimista querendo causar polêmica. Sou apenas mais um fã da tecnologia atendo as minúcias e tendências de mercado que vem a compartilhar minha opinião com todos.

Há algumas semanas atrás, assim que voltei da CES 2011, tive uma ótima conversa com Paulo Couto sobre o que mais havia chamado minha atenção no evento e o que conseguia enxergar como tendências de mercado, e o que venho a compartilhar é praticamente a mesma visão que Paulo possui a alguns anos. E posso falar com propriedade, meus amigos, o PC como conhecemos está lentamente morrendo e está acontecendo na frente de nossos olhos.
Em um evento como a CES a presença de notebooks e principalmente desktop estava incrivelmente reduzida, ninguém mais quer saber quantos núcleos tem o mais moderno processador do mercado, ou quantos stream processors tem a mais nova placa de vídeo. E quer saber por que? Por que, independente do que a mídia diz, ninguém precisa disso. E lentamente todos estão começando a perceber que hoje pagamos muito caro para algo que está muito além das necessidades de qualquer pessoa.
Sim, um Sandy Bridge é um avanço maravilhoso, sim ele possui um desempenho nunca antes visto. Sim a nova placa de vídeo da Nvidia é fantástica e capaz de coisas inéditas. Mas a verdade é que com os avanços na área de mobile, tudo o que qualquer pessoa precisa é apenas um celular, ou um tablet, apenas isso. Hoje nós já possuímos celulares com chips dual-core de 1GHz, processador gráfico Tegra 2 e poder de fogo superior a muitos netbooks e notebooks de entrada.
- Por que será o fim do desktop (x86)?
De forma simples e resumida, por que um processador x86, independente do modelo, é muito caro para ser produzido. Dos mais simples aos mais avançados todos os processadores x86 carregam consigo uma vasta quantidade de instruções de processamento legados para funcionar em qualquer cenário, o que tornam bons processadores para uso geral, porém medianos para usos específicos. Porém para a imensa maioria um simples processador ARM (que já deixou de ser simples a muito tempo), feito quase que exclusivamente para internet e entretenimento é muito mais que o necessário para qualquer atividade. Precisa de uma prova? O Atom da Intel, não interessa o que a empresa faça, já deixou de ser a melhor opção para qualquer cenário.
Olá ARM!
Olá ARM!
Mas todos os processadores x86 vão acabar? Não, mas na minha opinião ficarão restrita a uma pequena parcela da população e empresas que precisam do poder de processamento e não terão como utilizar a Cloud Computing para isso.
- O futuro é Mobile (ARM) e Cloud Computing (RISC).
Esqueça computador, esqueça o seu desktop e esqueça também seu notebook. Tudo o que você precisará dentro de 5 anos é um bom celular, apenas isso. Apesar de todos os avanços da arquitetura ARM é óbvio que ela ainda está muito atrás dos processados mais modernos, e apesar de encontrarmos smartphones executando grandes jogos e até editando fotos com o Photoshop ainda existirá uma parcela da população que precisará de um poder de fogo muito superior. Para essa parcela a solução se resume a Cloud Computing.
Durante a CES 2011 a Motorola apresentou seu primeiro aparelho celular 4g, o Motorola Atrix. Apesar do software ainda não está redondo o suficiente para o que se destina e algumas outras ressalvas precisam ser feitas, eu realmente acredito que o futuro da computação pessoal irá se resumir a essa foto:
Motorola Atrix 4g como desktop.
Motorola Atrix 4g como desktop.
Motorla Atrix com docking bay.
Motorla Atrix com docking bay.
Imagine poder levar todo o seu computador a qualquer lugar, dentro de seu bolso, de poder acessar tudo o que você precisa a qualquer momento, de qualquer lugar. E quando precisar de produtividade, montar seu docking bay e utilizá-lo como um notebook convencional.
Alguns vão questionar que o hardware não é suficiente para determinados aplicativos, mas pra que você precisa se dedicar e investir em um grande computador ou servidor se até mesmo hoje em dia você já pode utilizar serviços de Cloud, como os da Amazon, por menos de $14,95 mensais? Precisa de poder de fogo, contrate um serviço da Locaweb, Amazon, IBM, Google ou qualquer outro e por bem menos você terá muito mais retorno que qualquer investimento em máquina física, você terá um mainframe (provavelmente RISC) a seu dispor.
O único empecilho a essa realidade é a lenta adaptação dos softwares a esse cenário, o que promete mudar rapidamente. Imagine ao invés de ter um super computador para editar suas fotos você pudesse fazê-las em qualquer celular e utilizar o poder de processamento de um bom mainframe RISC para tal. Esse é o cenário que eu realmente acredito daqui a uns 5 anos.

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