sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sem internet, Egito vive clima de tensão em dia de grandes protestos


CAIRO - No dia em que o governo do Egito espera enfrentar o maior dos protestos que vêm se repetindo desde terça-feira, a internet e os serviços de dados para telefones celulares parecem ter sido cortados no país. Por ser um dia de descanso, segundo a religião muçulmana, as ruas da capital estão vazias nesta sexta-feira, mas o clima é de muita apreensão na cidade do Cairo. Ao menos cinco pessoas já morreram nos protestos, e centenas de manifestantes e oposicionistas foram presos.
A conexão com a internet parou de funcionar repentinamente. Os quatro maiores provedores do país - Link Egypt, Vodafone/Raya, Telecom Egypt, Etisalat Misr - pararam às 12h34m de transferir dados dentro do país e para o exterior.
Desde cedo, já havia reclamações de que redes sociais como Twitter e Facebook voltaram a ficar inacessíveis e o envio de SMS estava restrito. Manifestantes temem que o governo corte todos os serviços de telefonia para dificultar a organização e reduzir a repercussão das manifestações.
Membros da Irmandade Muçulmana são detidos
A Irmandade Muçulmana, maior grupo de oposição do país, convocou seus partidários para as manifestações , previstas para serem as maiores contra o regime do presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder. Cinco líderes e vários membros do grupo já foram presos, segundo o advogado da organização.
O grupo islâmico é apontado pelo governo como principal arquiteto dos protestos, mas até agora negava qualquer envolvimento. O Ocidente teme que a Irmandade Muçulmana - fora do Parlamento desde que boicotou as eleições de 2010 - chegue ao poder e radicalize o Egito.
Os protestos desta sexta contam também com o apoio do Nobel da Paz e ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohamed ElBaradei. Ele retornou na quinta-feira ao Cairo , disposto a participar das manifestações.
Obama defende demonstração de insatisfação
Temendo os protestos, na noite de quinta-feira o governo posicionou tropas de uma força especial de elite nas ruas do Cairo. Policiais não foram vistos nas ruas da capital durante parte da manhã de sexta, mas cerca de uma hora depois veículos blindados voltaram a circular.
Mubarak não é visto em público desde o início das manifestações. Os Estados Unidos, seu principal aliado, têm pedido o fim da violência contra os manifestantes. Em entrevista transmitida pelo YouTube, o presidente americano, Barack Obama, disse que os protestos mostram a frustração do povo egípcio.
- É muito importante que as pessoas tenham mecanismos para expressar seus descontentamentos - afirmou.

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