sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Como um governo cortou o acesso a internet de um país inteiro



O que o governo egípcio fez foi desativar mais de 3,5 mil rotas BGP, que ligavam os backbones dedez grandes provedores do país ao resto do mundo. O BGP, ou Border Gateway Protocol, é um dos principais protocolos da internet. É ele que faz a ligação entre os backbones, os principais servidores da rede mundial de computadores. Por estarem espalhados em diversos países, esses backbones precisam estar em constante comunicação para saber qual a melhor rota para um determinado pacote.
Queda nas conexões do Egito (gráfico: Renesys)
Sem as rotas BGP, os provedores de internet locais não sabem para onde mandar os navegadores que pedem por endereços como o google.com ou twitter.com, pois as rotas que levavam para os servidores desses endereços estão inacessíveis. O contrário também é verdadeiro: qualquer pessoa fora do Egito que tentar acessar um servidor localizado no país vai dar de cara com uma página de erro (como na página oficial do governo egípcio; pode tentar acessar, mas não vai abrir). É como se na internet o Egito tivesse deixado de existir.
Ou quase. De acordo com a empresa de rede Renesys, único grande provedor que continua com suas rotas BGP inalteradas é o Noor Data Group, que se conecta à rede por meio de um cabo de fibra óptica sub-aquático pertencente ao provedor Telecom Italia. Mas essa pode ter sido uma estratégia do próprio governo, já que eles sabem que esse provedor é usado pela bolsa de valores local e por isso não pode sair do ar.
Reflita sobre essa confusão toda por um momento. Um governo tirou o acesso à internet de pouco mais de 79 milhões de pessoas, além de impedir outros milhões que estão fora do país de manterem contato com seus parentes e amigos lá dentro. Se o fato de um governo conseguir retirar o acesso a um meio de comunicação tão essencial quanto a internet não é nem um pouco assustador para você, talvez seja melhor voltar para a caverna.

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